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CLDF debate desafios e avanços na inclusão de pessoas com autismo em sessão solene





A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) realizou, nesta sexta-feira (10), uma sessão solene em alusão ao Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado em 2 de abril. O encontro reuniu pessoas autistas, familiares, autoridades públicas e profissionais de áreas como saúde e direito para discutir políticas públicas, desafios e avanços relacionados ao tema.


Proponente da iniciativa, o deputado distrital Eduardo Pedrosa (União), presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Pessoas com Autismo, destacou que, apesar de avanços, ainda há lacunas significativas, sobretudo no acesso à saúde, educação e mercado de trabalho.


Segundo o parlamentar, a inclusão produtiva é um dos principais gargalos. “Os índices de desemprego entre adultos autistas são altíssimos. Isso não acontece por falta de capacidade, mas por falta de oportunidade, adaptação e compreensão”, afirmou. Ele também apontou a ausência de políticas estruturadas e incentivos às empresas como fatores que dificultam a inserção profissional, classificando o problema como uma perda social e econômica.


Mesmo quando conseguem ingressar no mercado, pessoas autistas ainda enfrentam obstáculos. O presidente do Movimento Orgulho Autista (Moab), Edilson Barbosa, denunciou situações de capacitismo estrutural, especialmente no serviço público. Segundo ele, há casos de servidores que têm direitos negados, sobretudo aqueles classificados no nível 1 de suporte.


“Não existe meio autista ou autista leve demais para ter direitos. Negar o status de pessoa com deficiência a um servidor concursado é um ato nulo e ilegal”, declarou Barbosa. Ele alertou que a falta de adaptações no ambiente de trabalho pode gerar consequências como burnout e isolamento, e informou que denúncias poderão ser levadas à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.


Apesar dos desafios, a sessão também evidenciou avanços recentes. Um dos destaques foi a inauguração do primeiro Centro de Referência Especializado em Transtorno do Espectro Autista no Distrito Federal (Cretea-DF), localizado na Estação 108 Sul do metrô e em funcionamento desde dezembro de 2025. A unidade atende crianças de 0 a 10 anos e conta com equipe interdisciplinar.


De acordo com a gerente do centro, Viviane Veras, os primeiros meses de atendimento já apresentam resultados positivos. “É gratificante ver como as crianças têm evoluído”, afirmou. O deputado Eduardo Pedrosa defendeu a ampliação do modelo, com novas unidades e atendimento também a adolescentes e adultos.


A sessão também abriu espaço para relatos de familiares. A empreendedora Dulcelene Rodrigues, mãe de dois filhos autistas, relatou dificuldades enfrentadas para conciliar o cuidado com os filhos e a vida profissional. “A maternidade atípica é uma sentença de pobreza, solidão e guerra burocrática”, disse. Ela criticou os critérios de acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), que, segundo afirmou, são excessivamente rígidos.


Por fim, outro depoimento foi o de Cibelle Lopes, mãe de três filhos autistas e coordenadora da frente parlamentar na CLDF. Ela chamou atenção para o adoecimento emocional de mães atípicas diante da falta de suporte estatal. Em sua fala, também deixou uma mensagem de incentivo às mulheres na mesma situação, destacando a importância da resistência e do apoio mútuo diante das dificuldades.






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