Erika Kokay posa com camisa “Eu Sou + BRB”, mas se colocou contra solução que evitou a liquidação do banco

Na política , “vestir a camisa” costuma significar compromisso com uma causa. A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) resolveu levar a expressão ao pé da letra.
Em postagem recente nas redes sociais, a parlamentar apareceu usando a camiseta com o slogan “Eu Sou + BRB”, símbolo do movimento criado por bancários em defesa do Banco de Brasília (BRB). O gesto poderia ser interpretado como um sinal de alinhamento com a mobilização que tomou conta do Distrito Federal nos últimas dias.
Mas há um detalhe que a foto não mostra.
Durante o debate que antecedeu a votação do Projeto de Lei nº 2.175/2026 — a medida que abriu caminho para recompor o capital financeiro do BRB e afastar o risco de liquidação — Kokay se posicionou contra a iniciativa. O texto acabou aprovado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) por 14 votos a 10, sob pressão direta de servidores da instituição que lotaram as galerias da Casa.
O que estava em jogo não era apenas uma discussão técnica. A decisão envolvia a preservação de cerca de 4,5 mil empregos diretos, além da continuidade de linhas de crédito consignado, financiamento habitacional e programas voltados à população de menor renda no Distrito Federal.
A proposta passou.
Dias depois, surge a imagem da deputada vestindo justamente a camiseta criada para defender a sobrevivência do BRB. Na política, às vezes a metáfora fala mais alto que o discurso. “Vestir a camisa”, nesse caso, parece ter ganhado um sentido mais estético do que propriamente político.
Nas mesma postagem, Erika Kokay direcionou críticas ao Banco Master e tentou associar o episódio ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e à vice-governadora Celina Leão.
O recorte escolhido pela deputada, porém, também revela outra seleção curiosa. Ao mirar exclusivamente a gestão local, a narrativa ignora que as investigações envolvendo o Banco Master , não se limitam ao âmbito distrital. O tema atravessa diferentes esferas de poder e chega até o centro do poder político nacional.
Em outras palavras: a história não começa e nem termina no Buriti. Ela sobe a Esplanada e alcança a rampa do Palácio do Planalto.
Nesse contexto, a imagem da deputada vestindo a camiseta do movimento pró-BRB acaba funcionando como uma metáfora involuntária da própria narrativa política que tenta construir.
A camisa está lá. O problema é que o gesto simbólico parece não conversar nem com o posicionamento adotado no momento decisivo do debate, nem com o alcance real da crise do caso Master .
Em Brasília, onde memória política costuma ser curta, às vezes uma fotografia resolve o problema: ela registra exatamente o ponto em que o discurso e a realidade deixam de caminhar juntos.
Source link
https://chumbogrossodf.com.br/erika-kokay-posa-com-camisa-eu-sou-brb-mas-se-colocou-contra-solucao-que-evitou-a-liquidacao-do-banco/?fsp_sid=268392
Nenhum comentário