Maven: Nasa se despede de sonda que revolucionou estudos sobre Marte
Maven: Nasa se despede de sonda que revolucionou estudos sobre Marte
Missão revelou como Marte perdeu sua atmosfera ao longo de bilhões de anos e deixou legado para futuras explorações espaciais
A Nasa se despede de uma das missões mais importantes para a compreensão do Planeta Vermelho. Após mais de uma década em operação, a sonda Maven (sigla para Atmosfera de Marte e Evolução de Compostos Voláteis, em português) encerra um capítulo histórico na exploração espacial.
A sonda ajudou cientistas a desvendar um dos maiores mistérios de Marte: como um planeta que já teve condições mais favoráveis à presença de água se transformou em um ambiente frio, seco e hostil.
Lançada em 2013 e inserida na órbita marciana em 2014, a missão foi projetada para estudar a alta atmosfera do planeta e sua interação com o vento solar. Ao longo dos anos, os dados coletados permitiram compreender melhor a evolução da atmosfera de Marte, uma questão central para entender o passado do planeta e seu potencial de habitabilidade.
A Nasa anunciou o encerramento oficial da missão em 3 de junho de 2026, após cerca de seis meses sem conseguir restabelecer contato com a sonda. O último sinal foi recebido em dezembro de 2025 e, desde então, diversas tentativas de comunicação foram realizadas sem sucesso. Uma investigação concluiu que a espaçonave provavelmente sofreu uma falha que comprometeu suas operações.
Diferente dos robôs que exploram a superfície marciana, como Curiosity e Perseverance, a Maven concentrou seus esforços no ambiente ao redor do planeta. O principal objetivo era investigar como a atmosfera de Marte foi sendo perdida para o espaço ao longo de bilhões de anos.
Segundo o doutor em astrofísica Adam Smith, professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), a missão foi fundamental para comprovar que esse processo continua acontecendo até hoje.
As observações indicaram que a ausência de um campo magnético global forte deixou a atmosfera marciana vulnerável ao vento solar. Com isso, partículas atmosféricas passaram a escapar gradualmente para o espaço, reduzindo a pressão do planeta e dificultando a permanência de água líquida na superfície.
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